A asseguração ESG tornou-se um diferencial competitivo para empresas que buscam demonstrar compromisso genuíno com sustentabilidade e responsabilidade social. Quando você contrata o mesmo auditor para asseguração ESG e auditoria financeira, ganha coerência nas análises, reduz inconsistências entre relatórios e fortalece a credibilidade perante stakeholders. A R&V Auditores e Consultores compreende essa integração e oferece uma abordagem holística que conecta a conformidade financeira à governança ambiental e social.
Manter um único parceiro especializado em ambas as áreas elimina lacunas de comunicação e garante que indicadores de sustentabilidade estejam alinhados com a realidade operacional da empresa. Isso é particularmente relevante para organizações que precisam atender a regulações crescentes e expectativas de investidores, clientes e órgãos reguladores que exigem transparência cada vez maior sobre práticas ESG.
Com experiência em diversos setores e mercados regulados, a R&V oferece consultoria e auditoria integradas que transformam dados em narrativas confiáveis, permitindo que sua empresa comunique progresso real em sustentabilidade sem comprometer a integridade das demonstrações financeiras.
O auditor das demonstrações pode assegurar o relatório ESG da empresa?
Essa dúvida surge com frequência quando a empresa já mantém um relacionamento consolidado com seu auditor independente e precisa, agora, contratar a asseguração do relatório de sustentabilidade. A lógica parece simples: se o profissional já conhece a empresa, por que não aproveitar o mesmo auditor para o trabalho ESG? A resposta envolve questões técnicas, normativas e de independência que precisam ser analisadas com cuidado antes de qualquer contratação.
O que significa assegurar um relatório ESG
A asseguração de relatório ESG — também chamada de asseguração de informações de sustentabilidade — é um serviço distinto da auditoria das demonstrações financeiras. Enquanto a auditoria financeira verifica se as demonstrações contábeis estão livres de distorções relevantes e em conformidade com as normas de contabilidade, a asseguração ESG examina se as informações ambientais, sociais e de governança divulgadas pela empresa são confiáveis, completas e consistentes com os critérios adotados — como GRI, SASB, ISSB ou frameworks regulatórios específicos.
O serviço pode ser prestado em dois níveis: asseguração limitada, que oferece uma conclusão em forma negativa (“nada chegou ao nosso conhecimento que indique…”), e asseguração razoável, equivalente em rigor à auditoria financeira, com conclusão positiva. O nível escolhido impacta diretamente o escopo do trabalho, o tempo necessário e o custo envolvido. Se você quer entender melhor os prazos típicos desse processo, vale consultar o artigo sobre quanto tempo leva a asseguração do relatório de sustentabilidade.
Normas que regem o serviço de asseguração ESG no Brasil
No Brasil, os trabalhos de asseguração de informações de sustentabilidade realizados por auditores independentes seguem, principalmente, a NBC TO 3000, editada pelo CFC, que trata de trabalhos de asseguração que não sejam auditoria ou revisão de informações financeiras históricas. Para empresas obrigadas a reportar pelo IFRS S1 e S2 — padrões do ISSB já incorporados ao ambiente regulatório brasileiro por iniciativa da CVM — a tendência é que os trabalhos sigam também as diretrizes da ISAE 3000 (Revised), norma internacional equivalente.
A CVM, por meio da Resolução CVM nº 59/2021 e das atualizações subsequentes relacionadas ao reporte climático, tem ampliado progressivamente as exigências de divulgação e, em alguns casos, de asseguração externa para companhias abertas. Isso significa que, para esse segmento, a asseguração ESG deixou de ser uma escolha voluntária e passou a integrar o conjunto de obrigações regulatórias — o que eleva ainda mais a importância de entender quem pode executar o serviço.
O mesmo auditor pode fazer os dois trabalhos?
Do ponto de vista técnico-normativo, não há vedação absoluta que impeça o mesmo auditor independente — pessoa jurídica — de realizar tanto a auditoria das demonstrações financeiras quanto a asseguração do relatório ESG da mesma empresa. Entretanto, essa possibilidade está condicionada a uma análise criteriosa de independência, competência técnica e segregação de equipes.
A independência é o ponto central. As normas do CFC e as orientações do IAASB exigem que o auditor avalie, antes de aceitar qualquer trabalho adicional, se a prestação simultânea de serviços cria ameaças à sua independência — seja por autorrevisão, interesse próprio, familiaridade ou intimidação. Quando o mesmo sócio responsável pela auditoria financeira assumir também a asseguração ESG, o risco de autorrevisão aumenta consideravelmente, especialmente se dados financeiros forem utilizados como insumo para os indicadores de sustentabilidade.
A solução mais adotada pelas firmas de auditoria de maior porte é a segregação formal de equipes: um sócio e uma equipe técnica cuidam da auditoria financeira, enquanto outro sócio e equipe distinta conduzem a asseguração ESG. Essa estrutura preserva a independência e permite que a mesma firma atenda aos dois trabalhos sem infringir as normas. Para firmas menores ou auditores individuais, essa segregação é estruturalmente mais difícil de implementar, o que pode inviabilizar a prestação simultânea dos dois serviços.
Competência técnica: auditores financeiros estão preparados para ESG?
Independência à parte, há uma segunda questão igualmente relevante: o auditor das demonstrações financeiras possui a competência técnica necessária para assegurar informações de sustentabilidade? A resposta honesta é que nem sempre.
A auditoria financeira exige profundo conhecimento das normas contábeis — CPC, IFRS, NBC TAs — e dos processos de controle interno relacionados ao ciclo contábil-financeiro. A asseguração ESG, por sua vez, demanda familiaridade com frameworks de reporte de sustentabilidade, metodologias de mensuração de emissões de gases de efeito estufa (GEE), indicadores sociais e de governança, cadeia de valor e processos operacionais que muitas vezes não têm interface direta com a contabilidade tradicional.
Um auditor financeiro experiente possui base sólida em procedimentos de asseguração, coleta de evidências e avaliação de risco — habilidades transferíveis para o contexto ESG. Mas isso precisa ser complementado por capacitação específica em sustentabilidade. Firmas que já atuam com asseguração ESG costumam compor equipes multidisciplinares, incluindo especialistas em meio ambiente, engenharia, ciências sociais e gestão de risco, ao lado dos auditores contábeis.
Portanto, antes de contratar o mesmo auditor das demonstrações para o trabalho ESG, a empresa deve questionar formalmente se a firma possui equipe qualificada, experiência documentada em asseguração de sustentabilidade e acesso às ferramentas metodológicas adequadas — não apenas a credencial de auditor independente registrado no CFC.
Vantagens de manter o mesmo auditor para os dois trabalhos
Quando as condições de independência e competência estão satisfeitas, concentrar os dois trabalhos na mesma firma pode gerar benefícios concretos:
- Conhecimento acumulado da empresa: o auditor que já realizou a auditoria financeira conhece a estrutura societária, os controles internos, os riscos do negócio e o perfil da gestão — informações que reduzem o tempo de onboarding para o trabalho ESG.
- Consistência entre dados financeiros e não financeiros: indicadores ESG frequentemente se cruzam com dados financeiros, como investimentos em projetos ambientais, provisões para passivos socioambientais e gastos com programas de compliance. Uma firma que domina os dois lados do reporte consegue verificar essa consistência com mais eficiência.
- Gestão simplificada de contratos e comunicação: lidar com um único prestador reduz a carga administrativa da empresa e facilita o alinhamento de cronogramas, especialmente quando os dois relatórios precisam ser publicados em datas próximas.
- Potencial de redução de custo: embora não seja regra, a negociação conjunta dos dois serviços pode resultar em condições mais favoráveis do que contratar dois prestadores distintos. Para ter uma referência de custos, o artigo sobre quanto custa uma auditoria independente para empresa de médio porte oferece parâmetros úteis.
Riscos e limitações que a empresa deve considerar
Por outro lado, existem riscos que precisam ser ponderados com igual atenção:
- Concentração de risco em um único fornecedor: dependência excessiva de uma única firma para serviços críticos pode criar vulnerabilidade operacional e reduzir o poder de barganha da empresa nas renovações contratuais.
- Ameaça de familiaridade: relacionamentos longos entre auditor e cliente, embora produtivos, precisam ser monitorados para que não comprometam o ceticismo profissional — requisito fundamental em qualquer trabalho de asseguração.
- Capacidade técnica insuficiente em ESG: aceitar o trabalho ESG por conveniência comercial, sem a equipe adequada, expõe tanto a empresa quanto o auditor a riscos reputacionais e regulatórios significativos.
- Exigências regulatórias setoriais: em alguns segmentos regulados, como o mercado de capitais, pode haver orientações específicas da CVM sobre a independência do assegurador de informações de sustentabilidade que restrinjam ou condicionem a atuação do mesmo auditor financeiro.
Empresas que atuam em setores com regulação específica — como instituições financeiras, seguradoras ou entidades do terceiro setor que captam recursos externos — devem verificar se há normas adicionais aplicáveis antes de definir o modelo de contratação. O artigo sobre seguradora precisa de auditor registrado na SUSEP ilustra bem como requisitos setoriais podem condicionar a escolha do auditor.
Como estruturar a decisão de forma adequada
A decisão sobre manter ou separar os auditores deve ser tomada com base em um processo estruturado, não por conveniência ou hábito. Algumas etapas práticas ajudam a organizar essa avaliação:
- Solicite à firma atual uma declaração formal de independência para o trabalho de asseguração ESG, identificando se há ameaças e quais salvaguardas serão adotadas.
- Avalie o currículo da equipe proposta para o trabalho ESG: peça referências de outros trabalhos de asseguração de sustentabilidade realizados pela firma, preferencialmente no mesmo setor da sua empresa.
- Verifique o framework que será utilizado e confirme se a firma possui experiência documentada com ele — GRI, ISSB, ESRS ou outro padrão relevante para o seu contexto.
- Consulte o regulador aplicável ao seu setor para identificar restrições ou exigências específicas sobre quem pode realizar a asseguração ESG.
- Compare propostas: mesmo que a intenção seja manter o mesmo auditor, obter pelo menos uma proposta alternativa permite avaliar se as condições oferecidas são competitivas e se o escopo proposto é adequado.
Empresas que ainda estão estruturando sua função de auditoria interna e controles relacionados à sustentabilidade podem se beneficiar de uma leitura prévia sobre as opções disponíveis, como discutido no artigo sobre montar equipe própria ou contratar auditoria interna terceirizada. Ter processos internos bem definidos facilita tanto a auditoria financeira quanto a asseguração ESG, reduzindo o tempo de trabalho externo e, consequentemente, os custos.
O cenário regulatório brasileiro e a tendência de maior exigência
O ambiente regulatório brasileiro caminha de forma consistente para ampliar as exigências de reporte e asseguração de informações de sustentabilidade. A CVM já sinalizou alinhamento com os padrões do ISSB, e o Banco Central do Brasil tem avançado com a Resolução CMN nº 4.945/2021, que trata da Política de Responsabilidade Social, Ambiental e Climática (PRSAC) para instituições financeiras. Esse movimento regulatório tende a aumentar o número de empresas obrigadas a contratar asseguração ESG nos próximos anos.
Nesse contexto, a pergunta sobre usar o mesmo auditor ou não deixa de ser apenas uma questão de conveniência e passa a ser uma decisão estratégica de governança. Empresas que antecipam essa discussão — definindo critérios claros, avaliando competências e estruturando contratos adequados — estarão melhor posicionadas para atender às exigências regulatórias sem improviso e sem comprometer a qualidade das informações divulgadas ao mercado.
Em resumo: o mesmo auditor das demonstrações financeiras pode assegurar o relatório ESG da empresa, desde que a independência seja preservada por meio de segregação adequada de equipes, que a firma possua competência técnica comprovada em sustentabilidade e que não haja vedação regulatória setorial aplicável ao caso concreto. Quando essas condições não estão presentes, contratar um assegurador distinto é a alternativa mais segura — tanto do ponto de vista técnico quanto reputacional.

